O Movimento de Educação para Todos (MEPT) reforça o papel de advocacia sobre o financiamento da educação e pela proteção das raparigas durante o Fórum da Sociedade Civil da África Austral 2026, realizado de 18 a 21 de agosto de 2026, em Durban, África do Sul, sob o lema “Futuros Democráticos em África: Promovendo uma Governação Responsável, Justiça Social, Transformação Económica e Dignidade Humana na África Austral”.
Durante o encontro, a Coordenadora Executiva, Isabel Francisco Da Silva, partilhou a experiência de Moçambique sobre os desafios do financiamento da educação e os impactos das crises, particularmente das catástrofes relacionadas com o clima na continuidade da aprendizagem e na permanência das raparigas na escola.
Igualmente apresentou a experiência de Moçambique, destacando que situações como ciclones, cheias e outros desastres climáticos podem interromper o funcionamento das escolas, destruir infraestruturas e materiais escolares, provocar deslocamentos das famílias e agravar a vulnerabilidade das crianças em particular das raparigas.
Advocacia para o financiamento
O Movimento de Educação Para Todos (MEPT) apresentou igualmente o trabalho que tem desenvolvido para fortalecer a advocacia pelo aumento do financiamento doméstico da educação, defendendo uma maior prioridade orçamental para o sector, a mobilização de recursos internos e o reforço da transparência e da responsabilização na gestão dos recursos públicos destinados à educação.
Importa destacar que a agenda está também ligada à defesa de mecanismos sustentáveis de financiamento que reduzam a dependência da ajuda externa e permitam ao Estado responder de forma mais eficaz às necessidades crescentes do sistema educativo.
“Futuros da Educação – Financiamento da Educação para Futuros Democráticos”
No âmbito do Fórum, a Campanha Global pela Educação (GCE) liderou dois painéis dedicados à educação: “Futuros da Educação – Financiamento da Educação para Futuros Democráticos” e “Série Futuros da Educação II – Protegendo o Direito da Rapariga a uma Educação de Qualidade na África Austral”.
Em contextos de crise, estas situações podem aumentar os riscos de absentismo, abandono escolar, violência baseada no género, uniões prematuras e outras formas de exclusão. Por isso, é fundamental que as respostas às emergências incluam não apenas assistência imediata, mas também mecanismos de continuidade da aprendizagem, proteção das raparigas, escolas seguras e recursos suficientes para a recuperação dos sistemas educativos.
Importa referir que as discussões decorreram num contexto de crescente preocupação com o financiamento da educação na África Austral e com a necessidade de acelerar os esforços para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) – Educação de Qualidade, incluindo através do reforço do financiamento nacional e internacional, da mobilização de recursos domésticos e do investimento em professores e ambientes de aprendizagem seguros e inclusivos.
O Fórum reuniu organizações da sociedade civil e outros atores da região para discutir os principais desafios que afetam o desenvolvimento e a justiça social na África Austral, com destaque para a governação democrática, as desigualdades económicas, a redução do espaço cívico, as mudanças climáticas e o financiamento dos serviços públicos.
A participação do MEPT no Fórum da Sociedade Civil 2026 enquadra-se no seu compromisso de continuar a influenciar políticas públicas, mobilizar diferentes atores e defender maior investimento na educação, com particular atenção às crianças e raparigas em contextos de crise e de maior vulnerabilidade.

