Estudo do MEPT revela que governo moçambicano investe mais de 1,9 milhões de meticais em aquisições de livros, mas ainda persistem desafios na distribuição deste material

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Apesar de o Governo moçambicano ter investido mais de 1,4 biliões de meticais na aquisição de livros escolares, milhares de alunos continuam a enfrentar a mesma realidade: falta de manuais e atrasos na sua entrega.

A conclusão consta de um estudo recente, divulgado no dia 19/03, na cidade de Maputo pelo Movimento de Educação Para Todos (MEPT). A pesquisa revela que muitas escolas recebem quantidades insuficientes de livros e, em vários casos, apenas após o arranque do ano lectivo.

O relatório aponta ainda problemas preocupantes na qualidade dos materiais. Entre as principais falhas estão especificações técnicas inadequadas, uso de materiais pouco duráveis e fragilidades no controlo dos fornecedores. A constante mudança curricular agrava o cenário, dificultando uma produção eficiente e consistente dos manuais escolares.

No terreno, os desafios logísticos continuam a travar o processo. Estradas em más condições, dificuldades de transporte e falta de meios, sobretudo nas zonas rurais, fazem com que algumas escolas nem sequer consigam levantar os livros disponíveis nos distritos.

A situação é ainda mais crítica quando se olha para as condições das próprias escolas. Mais de 60% não possuem salas suficientes, e muitas carecem de bibliotecas, laboratórios ou acesso à energia eléctrica, factores que limitam significativamente o uso adequado dos materiais didácticos.

Os números confirmam a gravidade do problema: cerca de 71,6% das escolas inquiridas reportaram atrasos na recepção dos livros, afectando directamente o processo de ensino e aprendizagem.

Perante este cenário, o MEPT defende reformas urgentes. Entre as principais recomendações estão a melhoria dos processos de aquisição, o reforço da fiscalização, o investimento em infra-estruturas e a criação de sistemas mais eficientes de planificação, monitoria e distribuição.

O estudo, produzido no âmbito do projecto MSNE, financiado pela União Europeia surge como um forte alerta: mais do que investir, é preciso garantir eficiência e transparência para que os livros cheguem, atempadamente aos seus destinatários.