A Coordenadora Executiva do Movimento de Educação para Todos (MEPT), Isabel da Silva, representou Moçambique no Encontro Regional das Redes Africanas pelo Direito à Educação, realizado de 17 a 20 de novembro, em Joanesburgo, África do Sul. O evento, promovido pela Campanha Global pelo Direito à Educação (GCE), reuniu representantes de diversas Redes Nacionais de Educação (NECs), organizações juvenis, parceiros de desenvolvimento e lideranças globais.
Reforço do papel das NECs e consolidação de aprendizagens
O encontro teve como principal objetivo fortalecer o papel das NECs na formulação de políticas educativas e de financiamento, além de consolidar lições aprendidas no âmbito de iniciativas em curso, com destaque para o programa Geração Digital.
Estratégia de Educação para a Transformação Digital ganha destaque
Um dos pontos altos da participação do MEPT foi a partilha da Estratégia de Educação para a Transformação Digital em Moçambique, recentemente submetida ao Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MEC). A estratégia aponta caminhos para integrar a tecnologia na aprendizagem, modernizar práticas pedagógicas e preparar o sistema educativo para os desafios da era digital.
Isabel da Silva apresentou também a experiência do Secretariado Executivo na aprendizagem entre pares, iniciativa que visa fortalecer a colaboração entre redes lusófonas e promover a troca de conhecimentos em áreas prioritárias.
MEPT partilha avanços em Género, Inclusão e Educação em Emergência
Durante as sessões, Isabel da Silva apresentou os principais avanços do MEPT nas áreas de Género e Inclusão (GESI), bem como em Educação em Contextos de Emergência (EiE). A coordenadora destacou ainda os resultados de um estudo de caso conduzido por redes africanas, incluindo Moçambique, desenvolvido em parceria com a GCE.
Discussão sobre o futuro do programa EOL e desafios do financiamento educativo
O encontro abordou ainda os próximos passos do programa Educação em Voz Alta (EOL), financiado pela Parceria Global para a Educação (GPE), cuja extensão até 2027 foi confirmada. As redes debateram as mudanças previstas para a nova fase do programa, que exigirá a redefinição dos planos nacionais e o alinhamento com novos processos de mobilização de fundos da GPE.
Foi enfatizada a necessidade de reforçar a advocacia nacional para maior priorização orçamental na educação, sublinhando que os parceiros de desenvolvimento cumprem papel complementar, mas não substitutivo, ao financiamento governamental.
Na ocasião, a Coordenadora Executiva do MEPT apresentou ainda a campanha de advocacia em curso para a criação de um Fundo Nacional de Investimento da Educação em Moçambique.
EdTech e novas agendas estratégicas
A agenda incluiu debates sobre Educação Tecnológica (EdTech), com a apresentação dos níveis de implementação das ações do programa EOL em vários países africanos. As discussões reforçaram a importância da tecnologia no ensino e o crescimento do diálogo inter-regional iniciado em 2023, também em Joanesburgo, com participação de NECs africanas, UNESCO e coligações da América Latina e da Ásia-Pacífico.
Além da EdTech, o workshop promoveu debates sobre:
- Educação em Emergências (EiE);
- Financiamento e tributação da educação;
- Oportunidades de advocacia junto à União Africana;
- Fortalecimento institucional e formação das redes africanas.
Participação juvenil
Além da presença da Coordenadora Executiva, o MEPT contou com a participação do representante da Associação dos Estudantes Finalistas Universitários de Moçambique (AEFUM), Idorcidio Mandlhate, reforçando a inclusão de vozes jovens nos processos de tomada de decisão e advocacia educativa.
Um encontro que coincidiu com momentos-chave globais
O workshop ocorreu simultaneamente às reuniões do G20 em Joanesburgo e à convocação do Conselho da GCE, criando oportunidades únicas de interação entre NECs, parceiros de desenvolvimento, organizações juvenis e líderes internacionais comprometidos com o direito universal à educação.

